O fenômeno climático El Niño se tornou a maior preocupação dos produtores rurais para o segundo semestre de 2026. No noroeste e norte do Espírito Santo, as lavouras de café podem enfrentar um inverno mais quente com temperaturas mais elevadas que o normal e com mais chuva.
“As altas temperaturas afetam diretamente a qualidade e o peso do grão do conilon e isso pode influenciar a safra de 2027. Quanto ao arábica, estive recentemente em Santa Leopoldina, e ouvi a queixa de cafeicultores preocupados com fortes chuvas e até granizo que são capazes de destruir a lavoura inteira”, disse Paulo Folletto.
O agricultor familiar é quem primeiro sente os efeitos das mudanças climáticas porque grandes produtores têm sistema de irrigação. “O setor já enfrenta os aumentos dos preços de fertilizantes e do diesel e, agora, tem a instabilidade decorrente do fenômeno climático”, falou Folletto.
Os setores de café, pecuária e cacau podem sofrer maiores consequências. Diante desse cenário, Paulo Folletto defendeu a continuidade de investimentos em ações que fortaleçam a produção rural e deem segurança ao pequeno e médio agricultor como construção de barragens.
“Em nossa gestão a frente da Secretaria de Agricultura, o governo do Estado inaugurou barragens em São Roque do Canaã, a Penedo e do Triunfo em Itarana e Itaguaçu, respectivamente, porque nosso objetivo era dar assistência a 100% às demandas dos pequenos agricultores”, lembrou Folletto.
A previsão dos especialistas aponta que a primavera (com início em 22 de setembro até 21 de dezembro) pode ser mais quente e seca com períodos de estiagem mais prolongados.
Todo o segundo semestre deste ano pode ter maiores riscos de picos de temperatura e eventos mais severos de seca. A quantidade de incêndios deve aumentar o que atinge a alimentação do gado.