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Conheça a história de
Paulo Folletto

Nascido em Colatina, Paulo Folletto cresceu em uma família simples, cercado pelo trabalho, pela união entre irmãos e pelas lembranças de uma infância vivida nos bairros Maria Ismênia e Vila Lenira.

Desde cedo, aprendeu o valor da responsabilidade e do cuidado com as pessoas. Médico e homem público, construiu sua trajetória com dedicação à família, à saúde e ao desenvolvimento do Espírito Santo.

Paulo Folletto

Infância e formação

Parto domiciliar

Nasci de parto domiciliar, na noite de 30 de abril de 1956, quando minha mãe, Iolanda Grassi Foletto, tinha 21 anos. Fui o primeiro filho de cinco irmãos, Paulo Roberto Folletto. Quando a bolsa de Dona Iolanda rompeu, a parteira na época, Dona Amélia Signorelli, foi chamada para iniciar os trabalhos. Não foi um parto fácil. A intensidade das cólicas aumentava na mesma proporção do esforço da minha mãe.

A preocupação, devido à dificuldade do parto, aumentava a cada minuto e, por esta razão, a parteira alertou ao meu pai para acionar o Doutor Raul Giuberti. Imediatamente, Doutor Raul atendeu ao chamado do meu pai, Jayme Luiz Foletto. Mamãe conta que só se recorda de quando o "Doutor calçou as luvas" e me retirou. Nasci com o cordão umbilical enrolado no pescoço e, sob aos cuidados de Doutor Raul, sobrevive ileso.

Paulo Folletto - infância

A residência onde meus pais moravam fica na avenida Presidente Kenedy, a principal do bairro Maria Ismênia. Era tempo de completa calmaria numa Colatina em processo de urbanização.

O Brasil vivia os primeiros passos do governo de Juscelino Kubitschek, período de crescimento econômico e de novos sonhos democráticos. No Espírito Santo, governava Francisco de Aguiar Lacerda. Colatina tinha à frente do executivo, Raul Giuberti, que governo entre 1955 e 1959 (de acordo com site da Câmara Municipal de Colatina). E percebam a coincidência: o médico do primeiro parto de minha mãe.

Era tempo de esperança para todos, inclusive, para meus pais. Depois de mim, tiveram mais quatro filhos: Silvio Roberto, José Augusto, Francisco Carlos e Maria Mônica. Todos com nomes compostos porque, segundo Seu Jayme, era muito comum na época.

Eu e meus quatro irmãos crescemos pelas ruas dos bairros Maria Ismênia e Vila Lenira, onde criamos laços de amizade e memoráveis recordações de uma infância pé no chão. Ou como dizem hoje "infância raiz".

Paulo Folletto - infância em Maria Ismênia

Enquanto isso, o Brasil vivia um período de alternâncias políticas. Na capital federal, Rio de Janeiro, JK, o autor do projeto de governo "cinquenta anos em cinco", planejava construir Brasília.

A autoria do slogan é do poeta Augusto Frederico Schmidt, que era conselheiro do presidente para o Plano de Metas, projeto de desenvolvimento do Brasil para energia, indústria de base, educação e transporte.


Escola pública no antigo Clube América

O trem do progresso estava lotado de investimentos em infraestrutura com a fundação de Brasília. Investimentos em educação, esporte e cultura também não faltaram.

Clubes bem organizados administrativamente aproveitaram o período e lucraram com a venda de atletas, com bilheterias lotadas pela paixão do torcedor pelo clube.

Desfrutando de pleno desenvolvimento, o clube América do Rio de Janeiro se tornara um dos maiores clubes de futebol do estado da Guanabara e do Brasil. Executou um projeto de expansão e fundou várias unidades do clube nos estados da federação, incluindo o Espírito Santo. Nesta época, o Espírito Santo já tinha forte influência dos times cariocas.

No dia 3 de maio de 1916, em Vitória, foi fundado o America Football Club, tendo sido campeão em 1917.

A capital Vitória teve uma unidade do clube América e em outras cidades também. Em Colatina, a unidade é fundada em Maria Ismênia, em 1963, num prédio que meu pai, Seu Jayme Foletto, ajudou a construir. No ano seguinte, o Iate Clube de Colatina é inaugurado.

O clube América evocava o sentimento de fraternidade entre os moradores e as famílias da região. Lá, também funcionava a escola pública chamada "Escolas Reunidas América", onde estudei o 1º, 2º, 3º e 4º ano primário.

Escolas Reunidas América - Clube América

Maria Ismênia é bairro vizinho ao de Vila Lenira, onde meus pais tinham uma "venda", como falávamos antigamente. "Venda" é referência de um pequeno comércio de bairro onde se comercializa artigos alimentícios e de higiene, a famosa marca "secos e molhados".

Nesta época, Colatina despontava como referência no comércio agrícola com a produção cafeeira, principalmente após a construção da ponte Florentino Avidos e da construção da linha férrea Vitória a Minas.

A venda ficava na principal do bairro, a David Torezani (onde hoje é uma oficina mecânica de motos) e era a principal fonte de renda dos meus pais.

Dona Iolanda conta que sempre fomos bons alunos e sempre tiramos notas boas. Em paralelo aos estudos ainda criança, por volta dos 8 e 9 anos, os três primeiros filhos, eu, Silvio e Guga ajudávamos papai nos trabalhos. Até quando cursei o 5º ano de medicina, em Vitória, e vinha passar os finais de semana na casa, trabalhei no balcão atendendo os fregueses.

Desde quando comecei a ajudar meus pais e estava decidido a cursar medicina meus irmãos passaram a me ver como líder da família, pelo menos é o que sempre diz minha irmã, Mônica.

Banners espalhados pela casa do Doutor Raul Giuberti

Fui o primeiro médico e o primeiro político da família. Não sofri influência direta de nenhum tio, avô ou do meu pai, segundo conta Seu Jayme. Meu pai e tios tinham lavoura de café no interior e nunca haviam sido políticos ou participado de atividades partidárias.

O único detalhe que pode ter sido decisivo, segundo Seu Jayme, é o fato de meu avô paterno ouvir diariamente o programa de rádio - a Voz do Brasil – programa jornalístico diário que noticiava os trabalhos de Getúlio Vargas, presidente da época, e o Repórter Esso.

O programa "A Voz do Brasil" foi ao ar pela primeira vez no dia 22 de julho de 1935, com o nome "A Hora do Brasil". É o noticiário oficial, exibido de segunda a sexta, às 19 horas, nas rádios de todo o Brasil — o programa radiofônico mais antigo da América do Sul. Surgiu na época de Getúlio Vargas para divulgar os atos do Executivo e só mais tarde passou a incluir os demais poderes: Judiciário, Senado, Câmara dos Deputados e Tribunal de Contas da União. A abertura utiliza a ópera "O Guarani", de Carlos Gomes.

Dona Iolanda conta que quando escolhi a medicina, ela e meu pai tomaram um susto. Primeiro, porque fui uma criança tímida e quieta. E, segundo, porque não havia nenhum médico na família.

Mesmo diante da surpresa dos meus pais, no ensino médio, já estava certo e decidido. Era a medicina a minha missão de vida. Confesso que não me vi exercendo outra carreira diferente da de salvar vidas. Novamente, estava quebrando paradigmas e sendo o primeiro médico da família. Hoje, tenho filho e sobrinhos médicos e minha enteada está cursando medicina.

Quando nossa família se reúne, sempre tentamos desvendar o mistério de quem influenciou a minha inserção na política. A minha irmã, Mônica, é quem tem a versão mais curiosa.

Colégio Marista

De menino na escola pública do antigo Clube América, chego à adolescência e juventude no Colégio Marista, escola de origem católica onde cursei da 6ª série ao 2º ano científico, hoje ensino médio.

O Marista não se resume a aprender português, matemática, geografia e história. É uma grande escola da vida e de socialização. Aprendi valores humanos, como ética e empatia ao próximo. O ensino contribui em nossa formação como cidadão. Anos depois quando tive meus filhos, fiz questão de terem a mesma formação e a mesma base educacional.

Tive aulas com o maior ícone do Marista em Colatina, o Irmão Gava, que passou por várias gerações de estudantes, hoje com 94 anos. Os primeiros irmãos Marista chegaram em 1953. Em 1960, é inaugurado o pátio com os mesmos bancos de cimento, ainda lá hoje.

Uma das lembranças mais marcantes de estudar no Marista foi a realização do cursilho - retiro de curta duração para renovação cristã e espécie de formação cristã que a igreja católica oferecia aos alunos para evangelizarmos nos diferentes ambientes que vivíamos.

O intuito da congregação também era formar os movimentos eclesiais de base, futuras bases das pastorais para praticar a solidariedade aos mais vulneráveis.

No Marista, fiz grandes amizades. Foi um ensino de muita qualidade e me lembro que não se falava em Getúlio Vargas porque na verdade já estávamos em outro e novo período ditatorial (a partir do golpe dado em 1964 a 1989).

O Marista marcara para sempre a minha vida. Agora, era tempo de dar voos mais altos.